Balança Que Cai...
Eu louco, preciso forçar minha normalidade.
Eu normal, a loucura vem bater com força a minha porta.
Eu sozinho me sinto solitário.
Acompanhando, sinto falta de estar sozinho.
Odeio ir dormir, vou por obrigação e a base de remédios.
Eu dormindo não quero me levantar nem por um milhão.
Eu bebendo sempre quero mais.
Eu de ressaca digo que nunca mais vou beber.
Os dois pratos da balança de um libriano.
Há duas pessoas em uma: a que quer e a que não quer.
É o cérebro contra o coração. A razão contra a emoção.
Já chorei de tanto rir, e agora costumo rir de tanto chorar.
Rir de desespero. Chorar de felicidade.
Amar sua ausência. Odiar sua presença.
O mundo jogando sexo na sua cara e você querendo amor.
Quando vem o amor, o medo é quem se joga na sua frente.
Tudo me entristece, tudo me deixa vazio.
Um vazio que sinto que vou transbordar.
Tenho ânsias de vômito para expulsar o nada de dentro de
mim.
Tomo banho querendo lavar mais minha alma do que o corpo.
Faço exercícios cerebrais e o corpo eu deixo como está.
Quero saber de tudo, mas odeio os papos fúteis.
Nessa hora quero que meus ouvidos fechem e eu consiga me tele
transportar.
Quando falo coisas fúteis, adoro e quero que prestem atenção
em mim.
Libriano indeciso. Libriano romântico que evita o romance.
Que lê livros de suspense e filmes de terror para aceitar
que o romance não existe mais.
Quando assisto romance, desejo que ele bate na minha porta e
diga que veio me tirar daqui, de dentro de mim mesmo.
Baixo aplicativos de paquera e quando encontro alguém,
desinstalo.
Evito momentos alegres pois sei da tristeza que vem depois.
Evito o amor porque já sei que todo amor vem com um pouco de
dor no pacote.
Já doeu demais e prefiro não sentir nada do que me arriscar.
Anedonia. Uma palavra que não conhecia e agora parece fazer
parte de mim.
Pouco importa se você ganhou na mega sena ou quebrou uma
perna.
Minha reação será a mesma: nenhuma. Mas talvez eu consiga
fazer uma falsa representação de alegria ou tristeza por você, quando na
verdade eu estou pouco me importando.
Não é que não ame as pessoas, mas estou focado demais no meu
eu para usar meu cérebro cansado para saber como interagir diante de certas
ocasiões.
Meu lobo frontal vai parar de produzir o hormônio da
felicidade e perder massa? Tudo bem, isso vem acontecendo com o meu coração e
eu ainda não morri. E se morrer, vou morrer seco e eles vão perguntar: como ele
vivia sem coração e sem parte do cérebro?
É um segredo que só eu sei. Que me custa a felicidade, a
alegria, mas que já faz parte do que eu sou. Preciso aceitar isso, porque lutar
contra é muito cansativo e frustrante. Sempre perco!
É como estar num barco sem remos e motor, em uma corrente
forte que te leva rumo a uma queda enorme. Não há o que fazer, o jeito é deitar
e esperar a queda. Não adianta bater os braços, não adianta pular nas águas, a
queda é inevitável.
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