Criança Desaparecida



                                     Criança Desaparecida




                July estava de férias no Brasil. Americana, divorciada, sempre sonhou em conhecer o Brasil, e agora estava com sua filha, Amy, de seis anos curtindo a praia de Copacabana. Estavam á dois dias ali, mas já estavam apaixonadas pelo local. Robert, o pai de Amy nunca se preocupou com a filha, nem visitava, nem se deu ao trabalho de registrar. Quando pediu o divórcio para July, não sabia que ela estava grávida, e ela manteve o segredo. Ele só soube do nascimento de Amy através de um amigo em comum com a ex-esposa. July agora namorava Peter, mais jovem que ela, gostava de festas, de se divertir, de viagens. Fez July se sentir adolescente novamente. Amy não gostava muito de Peter, mas nada impedia que July e ele pudessem se amar. Tinham planos de logo se mudarem para um local mais afastado do centro de Nova Iorque, uma zona mais rural, para curtirem a natureza, já que ambos gostavam de jardinagem, montanhismo e acampamentos. Amy não queria de jeito nenhum deixar a cidade, e July esperava nessa viagem, mostrar para ela a beleza da natureza e fazer a filha mudar de ideia. Peter não veio já para deixar as duas mais á vontade para terem a conversa.

                Na terceira noite, July entrou no assunto com a filha, que chorou e disse que nunca iria morar numa fazenda no meio do nada. Amy era madura para sua idade, e quando discutia com a mãe, parecia ter mais de dez anos. Aquela discussão deixou July furiosa, e assim que Amy adormeceu ela resolveu ir ao bar do hotel tomar uma cerveja, que virou duas, três e quando viu já era quase de manhã. Voltou ao quarto e encontrou a porta aberta. Correu e viu a cama de Amy vazia. Entrou em desespero, o efeito da bebida parecia ter desaparecido. Correu até a gerência e pediu para chamarem a polícia. O hotel era todo térreo, a entrada e o bar ficavam num prédio separado, no centro, e os quartos faziam um formato de “U” em volta dele. O estacionamento ficava também no centro, entre o prédio principal e os quartos. Era um hotel barato á beira-mar, não haviam câmeras de vigilância, e de madrugada o movimento se concentrava no bar, ou os hóspedes dormiam. Ninguém viu nada quando perguntados pela polícia. Não havia testemunhas, nem suspeitos. Mas havia sangue na cama de Amy. Não muito, mas suficiente para deixar a polícia e a mãe apreensivos.

                As buscas se intensificaram. Não foram encontradas digitais suspeitas além das arrumadeiras, de July e de Amy. Nada foi roubado, nem roupas da garota levadas. A solução seria esperar se o sequestrador entrasse em contato. E isso não aconteceu nos dias seguintes. As buscas foram exaustivas e depois de duas semanas foram diminuindo. A foto da garota foi mostrada em todas as emissoras e jornais locais. O caso foi notícia nos EUA e em alguns outros países, mas com menos repercussão. July estava sem saber o que fazer. Não aguentava mais o Brasil, a policia que nada fazia, nada descobria. Ligou para Peter mas ele não podia deixar os negócios no momento. Estava sozinha e fragilizada. Quase um mês se passou e ela precisava voltar ao trabalho, mas como sem Amy? Como trabalhar sabendo que sua filha estava desaparecida, ou morta? O que teria acontecido? A resposta veio na semana seguinte: o corpo de Amy foi encontrado, e para a surpresa da policia, perto do hotel. Ela estava enterrada na areia, entre algumas árvores. Havia sido degolada e violentada. Amy desmaiou, foi para o hospital e só depois de alguns dias conseguiu voltar para Nova Iorque com o corpo de sua filha.

                Amy foi enterrada ao lado dos avós maternos, que tanto amavam a garota,mas haviam morrido há dois anos em um acidente automobilístico causado por um jovem bêbado, que nunca foi encontrado. July cuidava deles, eles moravam com ela e Amy, e agora não tinha ninguém além de Peter. Ele era tudo para ela e ela não o perderia por nada. Após a missa de sétimo dia, os dois resolveram passar uns dias na casa de campo que iriam comprar. Resolveram que seria bom o ar puro e a distância do barulho da cidade para esquecer tudo e aquecer o amor entre os dois.
- Você sabe que eu te amo não é, Peter?
- Claro que sim minha linda. Graças á Deus deu tudo certo. Você esteve ótima!
- “Ótima” porque não foi você que teve que enterrar aquela fedelha, cortar seu pescoço e enfiar um vibrador para simular o estupro. Você devia ter ido junto ao menos para cavar aquela areia. Sinto que tenho areia nos cabelos até agora. Mas pelo menos não tenho mais a Amy me enchendo o saco, me lembrando de Robert e não querendo que a gente seja feliz aqui, no campo.
- Sinto muito não poder ajudá-la. Seria menos suspeito só vocês duas, em um pais onde a lei nada faz. Pra mim foi mais arriscado: esperar seus pais naquela estrada, fechar a frente deles e jogar o carro pelo precipício foi mais arriscado. Alguém podia passar na hora e ver, e corria o risco de algum deles sobreviver, daí não receberia o dinheiro, nem ficaria com a casa e ainda teríamos que cuidar de um ou dois inválidos.
- Deixa isso pra lá Peter! Passou. Deu tudo certo e agora finalmente estamos livres para viver o nosso amor.

E foram felizes para sempre...


* Conto escrito e registrado por Patrick Lima Prade

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