O Homem Que Não Sabia Amar e o Rapaz Que Nunca Amou
Essa é a história de um Homem Que Não Sabia Amar e um Rapaz Que Nunca Amou. Eles se encontraram em um dia normal em um banco de praça, enquanto o Homem Que Não Sabia Amar estava no intervalo de seu trabalho, O Rapaz Que Nunca Tinha Amado chegou e sentou, cumprimentando o Homem. Trocaram algumas palavras, idades, telefones, e logo estava conversando pelo telefone todos os dias, como grandes amigos. As conversas foram se tornando mais longas, mais frequentes, mais íntimas, menos Grandes Amigos e mais Apaixonados á cada "Alô" pronunciado. O Homem, de 37 anos, tinha sofrido muito em outros relacionamentos e estava inseguro, sem saber como lidar com esse apego súbito ao Rapaz. O Rapaz, de 18 anos, morava em uma fazenda longe da cidade, teve quase nenhuma experiência do amor, então não entendia o que era aquela vontade cada vez maior de conversar, ver, ficar com o Homem.Em uma noite, eles resolveram tocar no assunto. A distância estava machucando, e eles precisavam conversar a respeito de seus sentimentos. O Homem tentou explicar o que não sabia para o Rapaz, que não conhecia. Não foi uma conversa muito agradável, não foi desagradável também. Só serviu para mostrar aos dois que eles estavam apaixonados de verdade um pelo outro. E que precisavam fazer algo a respeito.
O Homem tentava em vão explicar, cada vez com palavras mais bonitas, mais elaboradas, mais profundas e verdadeiras. O Rapaz por outro lado, mais confuso ficava. Sentia seu peito quase explodir. Seria aquilo o amor? Não conseguia entender, se sentia intimidado por algo tão grande e sem explicação. Infelizmente, as experiências anteriores do Rapaz nada tiveram de "amor", no sentido bonito da palavra. Ele não sabia que o amor era bonito, achava que "Fazer Amor" era a mesma coisa que "Sentir Amor". Triste engano.
O Homem tinha seu trabalho, então ficou mais fácil o Rapaz vir na cidade visitá-lo do que o Homem ir para a fazenda. Passaram uma tarde juntos, mas ainda assim não foi o suficiente. A vontade de ficar, se beijar, era tanto que eles ficaram meio que em transe frente á frente. Só se olhavam e conversavam coisas triviais. Estavam tímidos, temerosos. Um com medo de sofrer novamente, o outro com medo de provar o amor e não querer mais parar de amar. Se separam com um abraço. O Rapaz voltou para a fazenda, o Homem ao trabalho.
Aquele encontro confirmou: era amor. Não dava para fugir, eles pensaram. Mas o medo veio e provou ao amor que ás vezes ele é mais forte. O Homem começou a sentir vontade de falar cada vez mais com o Rapaz, o Rapaz começou a querer falar cada vez menos com o Homem. Problemas assim começaram a distanciar os dois. O Homem não aguentava a dor de ficar um dia sem ouvir a voz do Rapaz. O Rapaz continuava cada vez com mais medo de falar com seus pais sobre o que estava sentindo. Começou a não atender o telefone, não responder a mensagens, se isolou por completo medo do desconhecido. Preferiu ficar na sua vida entediante de sempre. O Homem ao contrário queria arriscar tudo. Largaria qualquer coisa, assumiria qualquer risco, desde que fosse ao lado do Rapaz. Um não sabia o que esperar, o outro esperava demais. Um sentia medo o outro dor. Um sentia saudades, o outro não. O Rapaz nunca amou, não sabia que era assim. O Homem também não.
Os dias passaram e o contato foi perdido. Não houve mais ligações, nem mensagens. Nomes foram apagados de agendas, lembranças esquecidas, desejos reprimidos, tudo por medo. O Rapaz por medo de arriscar, o Homem com medo de sofrer. Dois covardes vencidos pelo mesmo inimigo. Mas ainda assim, dois covardes apaixonados um pelo outro.
O Homem sentiu seus dias, até então alegres, voltarem a ficar cinzas e tristes. Casa, trabalho e seus livros. Dia após dia verificava sua caixa de mensagens em busca de alguma notícia do Rapaz. Era triste, ele sabia, mas em pouco tempo ele teria que apagar o número e também o rosto do Rapaz de sua lembrança. O Rapaz voltou a sua rotina parada e sem alegrias. Tédio era o que sentia, e saudades, mas acima de tudo o medo de enfrentar a vida e viver esse amor que ele não conhecia. O Homem seguiu rezando para Deus tirar a vontade de procurar o Rapaz. Chorou, procurou ajuda de amigos, foi fazer terapia pra tentar conviver com a vergonha de ter encontrado o amor e ter deixado ele ir embora. O Rapaz, bem quanto ao Rapaz, eu não saberia dizer o que houve com ele, pois como disse, o Homem nunca mais o encontrou. Mas o Homem sabia que o amor não encontraria novamente os dois. Poderiam conhecer outras pessoas,fazer amor novamente, mas o sentimento forte que houve entre os dois, esse também nunca os encontraria...
Os anos passaram... o Homem se arrependeu de ter deixado o amor escapar, de deixar o Rapaz fugir, de ter dito algumas coisas. Teve que conviver com o arrependimento, ao lado do sentimento de que se houvesse insistido, os dois estariam felizes juntos. Mas no amor, é preciso duas pessoas fortes. O Homem se pudesse hoje encontrar o Rapaz, diria que ainda o ama, e pediria perdão por ter desistido tão fácil. Mas como eu disse, os dois continuam sendo covardes. Sentem falta e não falam. Sentem vontade e não se procuram. Sentem medo e não lutam. Não foi o amor que os perdeu. Eles perderam o amor. E isso é ainda pior...
Conto escrito e registrado por Patrick Lima Prade

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