Quando você foi embora...



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Quando você foi embora...


               “ ...e então agosto vai chegar e o Facebook vai começar a me lembrar de todas as postagens que eu fiz pra você, e para você apenas. Pois só você sabia decifrar aquelas mensagens, aquelas imagens que para os outros não significavam nada, mas para nós foi um mundo diferente, em outra dimensão, um mundo prestes á ruir, mas ainda sim, um mundo.
Não se chora por tudo que foi ou passou. Quando eu lembro disso, confesso que até sai um sorriso amarelo. Mas também não adianta chorar pelo que seria, quando sabemos que o que seria era uma ilusão. Não se pode ter alguém pra sempre, á não ser na lembrança.
Mesmo que eu não queria lembrar, seria impossível. Apenas uma amnésia resolveria este problema. Então deixo as lembranças fluírem, e cada vez fica mais fácil, mas simples, menos dolorido. Hoje por exemplo eu consegui almoçar...
A gente quase não dividia muita coisa. Éramos dois, sempre fomos. Nunca fomos um, e sabíamos disso e aceitávamos que nunca poderíamos ser um. Não que não fosse possível. Talvez fosse possível se a gente se esforçasse, ou refizesse os planos. Mas no fundo você sabia que o meu amor por você não era tão grande como o seu por mim. Você precisava se sentir mais amado. Você queria um amor daqueles gigantes, que sufoca, que faz sofrer. Esse tipo de amor eu só tenho por mim. E deve ser por isso que agora é comigo que estou. Apenas eu comigo mesmo...
Me arrependo? Não. Nunca impediria você de ser feliz e ir em busca do amor idealizado por você. Falávamos sobre isso e ambos sabíamos que um dia daríamos adeus um para o outro e a vida iria voltar á ficar sem sentido, como era antes de agosto...
Eu não conseguiria fingir que não saberia viver sem você. E era isso o que você queira: uma pessoa que dependesse da sua presença, que sofresse na sua ausência, que fizesse cenas de ciúmes e ameaçasse se matar! Era o seu lado egoísta falando mais alto. Aquele que sempre ficou entre nós. O gigante do seu ego gritando, porque precisava constantemente de provas de amor. E meu ego, calmo e sem tamanho, sabendo que o amor não precisa disso. Amor era o que eu sentia por você. O que você queria era idolatria. E isso você teria que procurar em outro lugar.
Fico feliz que você encontrou. Fico feliz de ambos sairmos relativamente bem. A separação, o fim, o término, isso não dói. Nunca doeu. Já tínhamos um prazo de validade. O que doeu foi a mentira. Mas como sempre, eu te entendo, dou um sorriso, passo a mão no seu cabelo e digo adeus...
Você desce as escadas, ouço o barulho dos seus passos nos degraus, cada vez mais baixo. E choro baixo também. E sei que você também chora, pois você me conhece melhor do que ninguém, e sabe que aquele ‘adeus’ é a última palavra que vai ouvir da minha boca, que foi a última vez que ouviu a minha voz. E que talvez seja a última vez que me vê de verdade. Porque se encontrar acidentalmente pode acontecer, mas eu nunca mais vou te olhar com aquele olhar dizendo que você é a coisa mais linda do mundo. E você é...”



Texto escrito e registrado por Patrick Lima Prade

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